quarta-feira, 3 de junho de 2009

Vitória de Santo Antão: Vitimas da enchete de 2005 exigem moradias

Da Redação do Noticiape.com/A voz da vitória

Há quatro anos, famílias desabrigadas pela enchente do Rio Tapacurá, em Vitória de Santo Antão, esperam pelas residências prometidas pelo Estado. Ontem, realizaram protesto marcado pela ironiaUm protesto com direito a bolo e canção de parabéns.

Foi dessa forma que famílias desabrigadas de Vitória de Santo Antão, no Agreste do Estado, lembraram ontem os quatro anos de sofrimento vividos após a enchente do Rio Tapacurá, ocorrida no inverno de 2005, quando centenas de casas foram destruídas.

A cheia aconteceu no dia 2 de junho e, desde então, as famílias esperam pela ajuda do governo, que prometeu uma casa nova, que nunca foi entregue. As moradias até foram construídas, mas terminaram sendo invadidas, no fim do ano passado. Agora, os desabrigados lutam para que uma liminar determinando a reintegração de posse seja cumprida e os invasores, expulsos.

As 458 novas residências estão localizadas na comunidade do Iraque, na periferia da cidade. Os moradores alegam que, por questões político-partidárias, as casas foram invadidas por pessoas que já tinham uma moradia. Em dezembro do ano passado, a Justiça concedeu uma liminar devolvendo ao governo do Estado a posse do conjunto habitacional.

A determinação, no entanto, ainda não foi cumprida.Ontem, os desabrigados realizaram uma passeata pelas ruas da cidade para exigir o cumprimento da liminar. Eles conseguiram uma audiência com uma representante do Ministério Público no município, que se comprometeu em ajudar a resolver o impasse.

Em fevereiro deste ano, havia sido firmado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o Ministério Público e representantes dos moradores que invadiram as casas. No acordo, o prazo para a desocupação encerrava-se no dia 15 do mês passado. Como as famílias continuaram no conjunto, a pressão agora é para que a liminar seja cumprida. O protesto foi organizado pelo Comitê Intermunicipal dos Desabrigados, formado por moradores de Vitória, Jaboatão dos Guararapes e Moreno, que também perderam suas casas na enchente de 2005. Pelo menos 1.500 famílias estão à espera de moradia.

Gente como Maria José Teixeira, 44 anos, que morava à beira do Rio Tapacurá e teve a casa completamente destruída. Ela alugou um barraco, próximo ao local da antiga residência, mas o dinheiro que ganha do Bolsa-Família (R$ 62) não dá para pagar o aluguel. “O dono cobra R$ 12 por semana. Mas se eu pagar o aluguel, não tenho dinheiro para a comida. É uma humilhação o que nós estamos passando”, lamenta.

A assistente social Vera Campelo, da ONG Cáritas, que presta assistência às famílias desabrigadas, disse que a solução para o impasse só acontecerá com a retirada dos invasores do conjunto habitacional. “Precisamos que a polícia e o município cumpram a decisão da Justiça. As famílias desalojadas não aguentam mais esperar”, criticou.

(Jornal do Commercio).

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